Onde a história continua
Elas entraram pela porta como quem pisa em terra antiga. Traziam consigo o coração apertado e os olhos marejados. No entanto, nos lábios guardavam um sorriso tímido, como se aquele chão já não fosse casa, como se aquelas paredes não tivessem guardado seus risos, seus medos, seus sonhos de partir.
Três anos... tempo suficiente para fazer raízes, mas também para criar asas. E agora, as asas pesam nos ombros, porque voar sempre exige um adeus.
Percorreram o corredor devagar como se tocassem a memória do que foram: as tardes de provas, poemas, crônincas, as manhãs de dúvidas e descobertas, os abraços roubados entre um intervalo e outro. Chegaram à porta, baixaram os olhos. Eu as vi de novo como no primeiro dia, cheias de medo, de perguntas sem resposta, entretanto, agora com um brilho diferente: o brilho de quem venceu o próprio medo.
Disseram que vieram se despedir, mas despedidas não existem onde a história continua. Elas partirão, sim, para a capital, para novas salas, novos mestres, novos desafios. Todavia onde houver um sonho realizado, onde houver um degrau conquistado, eu estarei, mesmo de longe, aplaudindo, porque o sucesso delas também é um pedaço de mim.
Que sigam, que brilhem, que voem! E que, sempre que a saudade apertar, lembrem-se: esta casa sempre será de vocês.
Daniele Pereira
Enviado por Daniele Pereira em 12/03/2025
Alterado em 12/03/2025