Ao Anjo do Bizarro
Eu o vi pela primeira vez ainda na adolescência,
"O Gato Preto" me pareceu um grito contra a maldade.
Mas depois percebi: teu viver te tornou insano,
um poço sem fundo de dor e desespero.
"O Poço e o Pêndulo" deságua tua ira lá fora,
enquanto a "Morte Vermelha" baila em festa.
"Assassinos, assassinos!" gritam as canções,
um eco de tua alma torturada.
O mistério se intensifica no entoar do coração,
Berenice, ah, Berenice, há tempos partiste.
A garrafa com o manuscrito, inóspita composição,
foi arrebatada pelo Corvo, um mensageiro da morte.
Ah, Anjo do Bizarro, onde te escondes hoje?
Foste incompreendido em tua breve jornada.
A bebida, onde buscaste fuga, prematuro te lançou à sepultura, sem o entendimento do mundo.
Quase dois séculos da tua partida,
aqui leio teus escritos, percebendo que teus gritos,
antes incompreendidos, ecoam entre as nações.
Um canto a Edgar Allan Poe
Daniele Pereira
Enviado por Daniele Pereira em 18/03/2025
Alterado em 20/03/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.