Ecos do Olhar
Eu os avistei de longe. Os olhos cor de âmbar brilharam em minha direção, acendendo em mim algo novo, inominável. Não pode ser obra do acaso. Em meio à sinfonia silenciosa que nos uniu naquele instante, fui levada a pensar nas almas que jamais se encontrarão—quantos olhares que nunca se cruzarão, quantas histórias que jamais serão escritas.
Se acaso se encontrassem, sentiriam esse ressoar profundo no corpo, tal como eu sinto agora. Seria afinidade? Atração? Não sei se são as circunstâncias, o tempo ou até mesmo o aroma do bálsamo estimulante que se espalha no ar. Mas quanto amor vibra nessa sincronia?
Sinto pelos que nunca terão a chance de se achar. Pelos que nasceram em épocas erradas, separados por um fio invisível do destino. E se um dia tivessem se visto? Talvez fossem a perfeita união de almas.
Quando os vi. Caminhava sem pressa, distraída. Olhei para o chão e, ao levantar o olhar, encontrei os teus. Naquele instante, o tempo hesitou, como se compreendesse sua própria importância.
O âmbar intenso e penetrante brilhou como o último suspiro do sol, enquanto meu castanho-claro cintilava como a doçura das manhãs douradas. Eram duas tonalidades distintas do mesmo fogo, chamas suaves que se reconheceram à distância, como se tivessem sido esculpidas para se refletirem uma na outra.
Há olhares que apenas passam. E há aqueles que se reconhecem, se encontram—e nunca mais se esquecem.
Daniele Pereira
Enviado por Daniele Pereira em 29/03/2025
Alterado em 15/04/2025
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