No silêncio dos olhos, grita o coração
No canto da sala, um vazio paira
Embora distantes, almas entrelaçadas.
Seus gestos contém falas vazias,
Fazem do tempo um rio sem guias.
Fingem desdém com ares tão frios,
Como se o outro fosse vento nos fios.
Mas quando os olhos, sem querer, se encontram,
Verdades inteiras, sem som, se falam.
Um brilho calado, um medo, um adeus,
Um grito sufocado nos olhos dos dois.
As bocas negam, mas não enganam
Nas cinzas dos olhos, ardem a chama.
Indiferença ensaiada, muralha erguida,
Para esconder a dor ainda viva.
Mas quem sabe olhar vê a contradição:
No silêncio dos olhos, grita o coração.
Daniele Pereira
Enviado por Daniele Pereira em 25/04/2025
Alterado em 25/04/2025
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