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Daniele Pereira
Escrever é uma forma de me conectar comigo mesma e, através das palavras, alcançar o outro.
Textos
O canto distante do grilo
Enquanto a cidade se prepara para mais uma noite de luzes e passos apressados, eu escolho o caminho inverso. As ruas se enchem de vozes, os carros formam um rio de buzinas e a pressa veste cada esquina. É a festa, o burburinho, o convite do urbano que seduz tanta gente. Mas não a mim.

Minha estrada não tem asfalto; tem pó. O som que me guia não é o das caixas de som, mas o canto distante do grilo que anuncia o entoar da noite. Enquanto alguns entram na cidade buscando movimento, eu sigo a quietude.

Aqui, o tempo  anda descalço. O vento brinca de desalhar árvores, e o cheiro de terra molhada se mistura com o noturno  café fresco, feito no fogão a lenha. O silêncio não é vazio; é preenchido pelo murmúrio da natureza, que fala baixo, mas fala fundo.

Não fujo da cidade por medo, fujo por desejo. O fugere urbem não é negar o mundo urbano, é lembrar que existe um outro onde o coração desacelera sem culpa e onde cada respiração parece caber inteira.

Enquanto a festa ecoa lá longe, sorrio no meu refúgio. Talvez amanhã eu volte para o burburinho. Mas hoje, escolho a paz que só o sítio e a família sabem me dar.





Daniele Pereira
Enviado por Daniele Pereira em 28/07/2025
Alterado em 28/07/2025
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