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Daniele Pereira
Escrever é uma forma de me conectar comigo mesma e, através das palavras, alcançar o outro.
Textos
A professora das flores

Era uma tarde daquelas em que o café da sala dos professores parece mais um chá de boldo — amargo e necessário. Eu estava ali, degustando o café com a concentração de um monge tibetano, quando a porta se abriu, uma mulher entrou com um buquê digno de novela das nove.

— Flores para você. — Disse a voz com um sorrisinho.

Pra mim? Eu? Flores? Automaticamente, todos os pescoços se viraram como girassóis em busca de sol. O buquê não era exagerado: margaridas delicadas com um girassol ao centro, compostos por um laço dourado e um cartão misterioso. Eu... confesso, fiquei paralisada.

— Quem mandou? — perguntou uma voz masculina.

— Foi o noivo? — arriscou outra voz.

— Ou será um admirador secreto? — sussurrou a voz serena, que vive dizendo que a escola é um campo fértil para romances e intrigas.

Eu, que só queria terminar meu café em silêncio, virei o centro de uma novela mexicana. O cartão dizia apenas: “Parabéns por ser tão sensível, de longe torço por você”

— Ix!.. Suspirou a voz melosa de alguém que queria a muito tempo ganhar um buquê, mas que até agora não veio.

O constrangimento bateu forte. Minhas bochechas estavam mais vermelhas que rosas. Tentei disfarçar, dizendo que talvez fosse engano. Mas não teve jeito. Durante o recreio, virei a “professora das flores”

No fim do dia, levei o buquê pra casa, confesso: apesar do constrangimento, foi bom ver a sala dos professores tão viva, tão curiosa, tão... humana.

E se amanhã eu receber bombons, já sei: vou esconder no armário antes que vire manchete.
Daniele Pereira
Enviado por Daniele Pereira em 26/08/2025
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