No Calor da Palavra
Naquela conversa curta
Meia verdade, meia respiração:
eu disse o que não costumo segurar:
insensível,
grosso,
ignorante.
As palavras saíram assim,
afiadas, firmes, sem aviso.
Não porque eu quisesse ferir,
mas porque comigo a verdade
não sabe andar devagar.
Você ouviu.
Seu olhar primeiro levou o golpe,
depois devolveu um brilho que me desmontou:
não era raiva.
Era compreensão.
Era quase… gratidão.
E eu, que não escondo o que sinto,
fiquei ali parada,
entre o susto e o alívio,
percebendo que a sinceridade às vezes dói,
mas não mata ninguém.
Por que a verdade machuca alguns?
Porque toca onde ninguém quer ser tocado,
desfaz fachadas,
expõe a pele nua que cada um guarda.
Para mim, ela é outra coisa:
é necessidade.
É cura.
É o único jeito de não trair quem sou.
Se minhas palavras foram duras,
é porque nasceram sem filtro,
não por maldade,
mas por integridade.
E no reflexo tranquilo do seu olhar,
entendi que, às vezes,
quando a verdade encontra o coração certo,
ela não vira ferida:
vira ponte.
Daniele Pereira
Enviado por Daniele Pereira em 03/12/2025
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