não me chame de poeta.
eu quebro o verso
antes que ele se complete.
desconfio da rima,
da palavra vestida de festa,
do poema que chega
sabendo onde termina.
eu prefiro o fragmento.
a palavra partida.
o silêncio
entre uma coisa
e outra.
não escrevo flores.
escrevo espinhos
depois da flor.
não sou poeta.
sou apenas alguém
recolhendo pedaços de si
no chão das palavras.