Cheguei cedo e me tranquei na sala. Entre uma tarefa e outra, perdi a noção do tempo, até que uma batida à porta me trouxe de volta ao movimento daquela manhã: na sala principal, os outros já me esperavam para uma reunião.
Quando saí, encontrei o olhar dele.
— Está tudo bem com você?
Estava. Eu apenas tinha aproveitado o horário para trabalhar. Mas a preocupação em seu rosto me surpreendeu: no meio dos outros, ele havia percebido minha ausência.
Expliquei, e seu olhar pareceu sossegar. Era um olhar acolhedor, desses que nos deixam à vontade para responder de verdade. Depois veio um abraço meio sem jeito, com os braços procurando lugar, mas cheio de carinho. Sorri diante daquela delicadeza.
Fiquei pensando em como o cuidado começa assim: alguém percebe uma porta fechada, sente falta de uma presença e se aproxima. Uma pergunta simples ganha outro tamanho quando há disposição para ouvir a resposta.
Entrei na reunião levando comigo aquele pequeno acontecimento. Pessoas boas existem, espalhadas por aí. Com um pouco de calma, podemos reconhecê-las nas nuances do dia. Inclusive naquele olhar que, entre tantas coisas para resolver, encontra tempo para saber como estamos.